Quando o assunto é saúde do coração, o colesterol costuma monopolizar a conversa e não por acaso: o controle do LDL (“colesterol ruim”) é, de fato, um dos pilares mais bem estabelecidos da prevenção cardiovascular. No entanto, reduzir a saúde do coração a um único número no exame de sangue é um erro que pode custar caro. As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, respondendo por cerca de 30% de todos os óbitos relacionados a doenças crônicas não transmissíveis no país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A Tecno Vida entende que cuidar do coração exige um olhar mais amplo do que apenas “colesterol alto ou baixo”. Por isso, este artigo reúne as diretrizes da SBC e dados de vigilância epidemiológica nacional, como o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas), do Ministério da Saúde, para explicar quais outros marcadores e hábitos merecem atenção na prevenção cardiovascular muitos deles tão ou mais silenciosos quanto o próprio colesterol.
Um dado do Vigitel 2025 ilustra bem a urgência do tema: entre 2006 e 2024, a prevalência de hipertensão arterial entre os adultos brasileiros cresceu 31%, chegando a atingir quase um terço da população adulta do país, enquanto o diagnóstico de diabetes aumentou 135% no mesmo período. Isso significa que, na prática, o cenário de risco cardiovascular do brasileiro é multifatorial e monitorar apenas o colesterol deixa boa parte desse quadro sem resposta.
Formada em nutrição pela UFMT. Especialista em: Nutrição clinica (UFMT), Nutrição clínica funcional (VP), Nutrição parenteral e enteral (GANEP)
A hipertensão arterial é, ao lado da dislipidemia, um dos dois principais fatores de risco cardiovascular no Brasil, muitas vezes silencioso, segundo a própria Sociedade Brasileira de Cardiologia. E o critério para classificá-la ficou mais rigoroso nos últimos anos: as diretrizes atuais da SBC, alinhadas às recomendações internacionais, passaram a considerar como normal apenas a pressão até 120/80 mmHg, com valores entre 121/80 e 129/84 mmHg já classificados como “pressão elevada” uma faixa de atenção que antes poderia passar despercebida.
Por que isso importa tanto?
Monitorar a pressão regularmente, e não apenas na consulta médica, é uma das formas mais acessíveis de identificar precocemente um problema que, segundo os próprios dados nacionais, afeta um número crescente de brasileiros.
Se a hipertensão já preocupa, o cenário do diabetes no Brasil é ainda mais alarmante em termos de velocidade de crescimento. Segundo o Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, o percentual de adultos brasileiros com diagnóstico de diabetes saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, um aumento de 135% em menos de duas décadas.
Esse dado é diretamente relevante para a saúde cardiovascular porque o diabetes é um dos principais aceleradores do processo de aterosclerose (o endurecimento e estreitamento das artérias), aumentando significativamente o risco de infarto e AVC, independentemente dos níveis de colesterol. As diretrizes da SBC de estratificação de risco cardiovascular consideram justamente a presença de diabetes como um dos fatores que elevam automaticamente uma pessoa para uma categoria de risco mais alta, com metas de LDL mais rigorosas.
Pontos que merecem atenção no monitoramento da glicemia:
Dentro do próprio perfil lipídico, o colesterol LDL costuma receber todo o holofote, mas as diretrizes brasileiras de prevenção cardiovascular avaliam o quadro de forma mais completa, incluindo os triglicerídeos e o colesterol HDL (o “bom colesterol”) na equação de risco.
Esse é um dos motivos pelos quais interpretar um exame de colesterol “sozinho”, sem olhar o conjunto do perfil lipídico e o contexto clínico da pessoa, pode levar a conclusões equivocadas sobre o real risco cardiovascular.
O excesso de peso já é, isoladamente, um fator de risco cardiovascular bem documentado e um problema crescente no Brasil. Segundo o Vigitel, a prevalência de excesso de peso entre adultos brasileiros passou de 42,6% em 2006 para mais de 60% nas edições mais recentes da pesquisa, o que significa que a maioria da população adulta do país já convive com sobrepeso ou obesidade.
Mas, para a saúde cardiovascular, um detalhe é tão ou mais importante do que o peso total: a distribuição da gordura corporal. A gordura concentrada na região abdominal (visceral) está associada a um perfil metabólico mais inflamatório e a maior risco cardiovascular do que a gordura acumulada em outras regiões do corpo, mesmo em pessoas com índice de massa corporal (IMC) semelhante.
Por isso, diretrizes brasileiras de prevenção cardiovascular e de manejo da obesidade incluindo posicionamentos conjuntos de sociedades médicas nacionais recomendam a medição da circunferência abdominal como ferramenta complementar ao IMC na avaliação do risco cardiometabólico, já que ela reflete de forma mais direta o acúmulo de gordura visceral, um dos elos entre obesidade, resistência à insulina e doença cardiovascular.
Além dos marcadores laboratoriais, as diretrizes brasileiras de prevenção cardiovascular dedicam capítulos inteiros a fatores de estilo de vida que, embora não apareçam em um resultado de exame de sangue, têm impacto direto e mensurável sobre o risco cardiovascular.
Monitorar a saúde cardiovascular, portanto, não deve se limitar à interpretação isolada de exames, envolve também observar, de forma honesta, a rotina de sono, movimento e equilíbrio emocional ao longo do tempo.
O colesterol segue sendo, com razão, um dos pilares centrais da prevenção cardiovascular mas os dados de vigilância epidemiológica brasileira deixam claro que ele está longe de contar a história completa. Pressão arterial, glicemia, o equilíbrio entre os diferentes componentes do perfil lipídico, a distribuição da gordura corporal e hábitos de vida como sono, atividade física e controle do estresse compõem, em conjunto, o verdadeiro panorama de risco cardiovascular de uma pessoa.
O cenário brasileiro reforça essa necessidade de olhar ampliado: com hipertensão atingindo quase um terço dos adultos e diabetes crescendo 135% em menos de vinte anos, segundo o Vigitel, a saúde do coração no Brasil está sendo desafiada por múltiplas frentes simultâneas todas monitoráveis, e boa parte delas, evitáveis com diagnóstico precoce e mudança de hábitos.
Mais do que decorar um único número de exame, cuidar do coração exige acompanhamento regular com um médico, avaliação conjunta dos diferentes marcadores discutidos aqui, e atenção contínua ao estilo de vida sempre com orientação profissional individualizada, especialmente diante de fatores de risco já identificados.
A Tecno Vida reforça seu compromisso em oferecer conteúdo educativo baseado em ciência e na realidade brasileira, ajudando você a cuidar da sua saúde cardiovascular de forma mais completa e consciente.
Não necessariamente. O colesterol é apenas um dos fatores de risco cardiovascular. Pressão arterial elevada, glicemia alterada, obesidade abdominal, sedentarismo, sono insuficiente e tabagismo também influenciam significativamente o risco de doenças do coração, mesmo com o colesterol dentro da faixa considerada normal. A avaliação cardiovascular completa deve considerar o conjunto desses fatores, não apenas um exame isolado.
As diretrizes atuais da Sociedade Brasileira de Cardiologia, alinhadas às recomendações internacionais, consideram como normal a pressão até 120/80 mmHg. Valores entre 121/80 e 129/84 mmHg já são classificados como "pressão elevada", uma categoria de atenção que exige acompanhamento, mesmo sem caracterizar hipertensão propriamente dita.
O diabetes acelera o processo de aterosclerose o endurecimento e estreitamento das artérias, aumentando significativamente o risco de infarto e AVC, independentemente dos níveis de colesterol. As diretrizes brasileiras de prevenção cardiovascular classificam automaticamente pessoas com diabetes em categorias de risco mais elevado, com metas de tratamento mais rigorosas para o colesterol LDL.
Ela é um complemento importante, não uma substituta. Duas pessoas com o mesmo peso ou IMC podem ter riscos cardiovasculares diferentes dependendo de onde a gordura corporal está concentrada. A gordura acumulada na região abdominal (visceral) está associada a um perfil metabólico mais inflamatório e a maior risco cardiovascular, por isso diretrizes brasileiras recomendam a medição da circunferência abdominal como ferramenta complementar ao IMC.
Sim. Dados do Vigitel mostram que uma parcela relevante dos adultos brasileiros dorme menos de seis horas por noite ou apresenta sintomas de insônia. A privação de sono está associada, na literatura científica, a maior risco de hipertensão, ganho de peso e resistência à insulina fatores que, por sua vez, elevam o risco cardiovascular. Cuidar da qualidade do sono é, portanto, parte legítima de uma estratégia de prevenção cardiovascular.
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