A calêndula (Calendula officinalis L.), popularmente conhecida como “bem-me-quer” ou “maravilha”, é uma das plantas medicinais mais estudadas e utilizadas em fitoterapia, tanto na tradição popular como na prática clínica baseada em evidências. As suas flores, de coloração amarelo-alaranjada, são reconhecidas há séculos pelas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e cicatrizantes, sendo tradicionalmente empregues em infusões, tinturas, óleos e pomadas.
No Brasil, a Calendula officinalis integra oficialmente a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (RENISUS) desde 2009, constituída pelo Ministério da Saúde. A nível internacional, a planta possui monografia oficial da European Medicines Agency (EMA), que reconhece o seu uso tradicional para determinadas indicações. Neste artigo, a TECNOVIDA reúne evidências científicas para explicar o que o chá de calêndula realmente proporciona à saúde, quais são as suas indicações reconhecidas e, com igual importância, as suas contra indicações.
Formada em nutrição pela UFMT. Especialista em: Nutrição clinica (UFMT), Nutrição clínica funcional (VP), Nutrição parenteral e enteral (GANEP)
Os efeitos terapêuticos atribuídos à calêndula resultam da sua composição química rica e diversificada. Segundo uma revisão publicada na base ScienceDirect, as flores de Calendula officinalis contêm ésteres triterpenos e os carotenoides flavoxantina e aloxantina, responsáveis pela coloração amarelo-alaranjada, além de glicosídeos de flavonol, oligo glicosídeos triterpênicos, saponinas e um glucosídeo sesquiterpênico.
Um documento técnico brasileiro, o Manual Terapêutico de Fitoterápicos, resume o mecanismo de ação central da planta: a calêndula possui atividade cicatrizante e reepitelizante, sendo os triterpenos, juntamente com as mucilagens, os carotenos e os flavonoides, os responsáveis por essas ações. É esta combinação de compostos bioativos e não um único princípio ativo isolado que explica o amplo espectro de propriedades atribuídas à planta: anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e cicatrizante.
A calêndula possui um dos perfis de segurança e uso tradicional mais bem documentados entre as plantas medicinais, com reconhecimento tanto no Brasil como na Europa. No Brasil, a planta faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde, o que reflete o reconhecimento oficial da sua relevância terapêutica dentro do sistema público de saúde brasileiro.
A nível europeu, a European Medicines Agency (EMA), através do seu Comité de Medicamentos à Base de Plantas (HMPC), reconhece formalmente a Calendula officinalis como substância vegetal de uso tradicional estabelecido. Um documento técnico compilado a partir de fontes farmacopeicas nacionais e internacionais resume as indicações reconhecidas: processos inflamatórios da pele e mucosas, úlceras cutâneas e úlceras varicosas, como anti-inflamatório, antiséptico e cicatrizante tópico, sendo recomendado o uso tópico através de bochechos ou gargarejos com o infuso, duas a três vezes ao dia nos casos de inflamação da mucosa oral e da garganta.
O chá (infusão) de calêndula é tradicionalmente utilizado para diferentes finalidades, com distintos níveis de evidência científica consoante a via de uso. Segundo dados compilados pela literatura fitoterápica brasileira, o infusão de calêndula é indicado como anti-inflamatório, antisséptico e cicatrizante, podendo também auxiliar em condições de distúrbios estomacais, sendo utilizado por via oral (como bebida) e por vía tópica (bochechos, gargarejos e compressas).
É importante destacar, no entanto, que a maior parte da evidência clínica robusta sobre a calêndula refere-se ao seu uso tópico. Uma revisão sistemática sobre calêndula e cicatrização de feridas, publicada em plataforma científica internacional, reconhece que, apesar de textos tradicionais e estudos em animais indicaram um efeito anti-inflamatório do extrato de calêndula, há uma escassez de evidência clínica robusta para sustentar esta afirmação de forma conclusiva quando aplicada especificamente à ingestão oral. Isto significa que, embora o uso tradicional do chá de calêndula seja amplamente reconhecido, a evidência científica mais forte e consistente diz respeito, sobretudo, à sua aplicação tópica em feridas, mucosas e inflamações cutâneas.
A calêndula apresenta um perfil de segurança globalmente favorável, mas existem contraindicações específicas que devem ser respeitadas. Segundo a monografia oficial da EMA sobre Calendula officinalis L., flos, uma das principais contraindicações é a hipersensibilidade a membros da família Asteraceae (família Compositae) que inclui plantas como margaridas, crisântemos e artemísia, dado o risco de reações alérgicas cruzadas.
Quanto ao uso durante a gravidez, amamentação e em crianças pequenas, uma revisão publicada na ScienceDirect é clara: a segurança dos produtos de calêndula durante a gravidez e a amamentação permanece indeterminada, pelo que o seu uso não é recomendado nestes períodos devido à insuficiência de dados; adicionalmente, segundo a monografia da EMA, o seu uso também não está estabelecido em crianças com menos de 6 ou 12 anos, devido à insuficiência de dados.
Um recurso farmacológico de referência europeu reforça ainda que pessoas com alergia já existente à família Asteraceae devem evitar as flores de calêndula e as suas preparações, e que não existem estudos de segurança disponíveis sobre o uso de flores de calêndula durante a gravidez, a amamentação ou em crianças com menos de 6 anos.
Para além das contra indicações formais, existem cuidados práticos importantes no consumo do chá de calêndula. Fontes de orientação fitoterápica destacam que o uso abusivo da planta pode provocar depressão, nervosismo, falta de apetite, náuseas e vômitos, sendo recomendado não ultrapassar as doses habituais nem prolongar o uso continuado do chá por períodos extensos sem interrupção.
Adicionalmente, um estudo publicado em revista científica internacional documentou um caso clínico de eritema periocular e eczema após aplicação local de calêndula em idade pediátrica, reforçando que, mesmo sendo uma planta de perfil geralmente seguro, reações de sensibilização cutânea podem ocorrer, sobretudo em crianças e em pessoas com pele sensível ou predisposição alérgica. Por este motivo, recomenda-se cautela redobrada no uso em crianças pequenas e a descontinuação imediata perante qualquer sinal de reação cutânea ou alérgica, com procura de orientação médica se os sintomas persistirem.
O chá de calêndula é um recurso fitoterápico com reconhecimento oficial tanto no Brasil, através da sua inclusão na RENISUS do Ministério da Saúde, como na Europa, através da monografia da European Medicines Agency. As suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e cicatrizantes são sustentadas por séculos de uso tradicional e por evidência científica consistente, sobretudo no que diz respeito à aplicação tópica em feridas, mucosas inflamadas e afecções cutâneas sendo a evidência sobre a ingestão oral, embora tradicionalmente estabelecida, ainda menos robusta em termos de ensaios clínicos controlados.
Como qualquer recurso fitoterápico, a calêndula não está isenta de contraindicações: pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae, gestantes, lactantes e crianças pequenas devem evitar o seu uso ou fazê-lo apenas sob orientação profissional, dada a insuficiência de dados de segurança para estes grupos. O uso abusivo ou prolongado, sem as devidas pausas, também pode associar-se a efeitos indesejados.
A equipe técnica da TECNOVIDA reforça que, mesmo sendo um produto de origem natural, o chá de calêndula deve ser utilizado com conhecimento das suas indicações e limitações. Recomenda-se sempre a orientação de um farmacêutico ou nutricionista antes de iniciar o uso regular deste ou de qualquer outro fitoterápico, especialmente em situações de gravidez, amamentação, uso pediátrico ou histórico de alergias.
O chá de calêndula é tradicionalmente utilizado pelas suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e cicatrizantes, sendo empregue tanto por via oral como em bochechos e gargarejos para inflamações da mucosa oral e da garganta. É reconhecido oficialmente pelo Ministério da Saúde do Brasil, através da RENISUS, e pela European Medicines Agency, para uso tradicional estabelecido.
Não é recomendado o uso contínuo e prolongado sem interrupções. Orientações fitoterápicas indicam que o consumo excessivo ou prolongado do chá pode associar-se a efeitos indesejados, como náuseas, falta de apetite e nervosismo, pelo que se recomenda respeitar as doses habituais e fazer pausas periódicas no uso.
Pessoas com alergia conhecida a plantas da família Asteraceae (como margaridas, crisântemos e artemísia) devem evitar o uso de calêndula, dado o risco de reações alérgicas cruzadas. Gestantes, lactantes e crianças pequenas também devem evitar, devido à insuficiência de dados científicos de segurança para estes grupos.
Não de forma determinística, mas o risco é maior. A Sociedade Brasileira de Pediatria indica que filhos de pais com obesidade têm maior probabilidade de desenvolver a mesma condição, o que reforça a importância de mudanças de hábitos alimentares e de estilo de vida envolvendo toda a família, e não apenas a criança.
A evidência científica mais robusta sobre a calêndula refere-se principalmente ao seu uso tópico, em feridas, mucosas inflamadas e afeções cutâneas. O uso por via oral, embora tradicionalmente estabelecido e reconhecido por diretrizes fitoterápicas, ainda carece de ensaios clínicos controlados tão numerosos quanto os disponíveis para o uso tópico.
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